Portal atualizado em: 19 de outubro de 2021 às 19:35h

Ligas Camponesas: João Pedro Teixeira morreu e viveu pela causa dos agricultores de Sapé

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Assassinado em 2 de abril de 1962, na rodovia Café do Vento, em Sapé, o líder camponês João Pedro Teixeira se tornou referência na luta pela dignidade dos trabalhadores do campo. Nesta sexta-feira (2), 59 anos após sua morte, sua história continua sendo contada e relembrada pela população sapeense. A Prefeitura de Sapé vem fazendo o resgate da história do município e destaca a importância de sempre contar a história de pessoas importantes, que lutaram, atuaram para promover transformações.

Presidente do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas de Sapé, Alane Maria Silva ressalta a trajetória do agricultor. “Ele lutava para que os camponeses tivessem direito a uma vida digna, com acesso a saúde, educação de qualidade, moradia”, relembra ela, que ressalta que João Pedro foi perseguido e morto pelos latifundiários da região, que viam com maus olhos sua atuação.

Alvejado pelas costas com tiros de fuzil, o paraibano teve uma morte violenta e com motivações políticas. Ainda assim, sua trajetória acendeu no povo a consciência dos direitos e através das Ligas Camponesas, capitaneado por ele e outros nomes como Elizabeth Teixeira, esposa de João, João Alfredo Dias (Nego Fuba) e Pedro Inácio de Araújo (Pedro Fazendeiro), as conquistas surgiram para o povo do campo em Sapé.

“Através da Liga conseguimos escola para zona rural, educação, conseguimos ter agricultores organizados, estabelecemos a relação entre o campo e cidade, conquistamos a unificação entre operários da cidade e camponeses”, lista Alane.

Memorial das Ligas e Lutas Camponesas – Fundado em 2006, o Memorial surgiu a partir das memórias dos camponeses. De acordo com Alane, a luta pelas terras em Sapé ressurgiu na década de 90, na região da Várzea com o acampamento Barra de Antas, que é onde nasceu as Ligas Camponesas e o momento marcou o processo de recuperação da memória de trabalhadores que tiveram suas memórias apagadas. “Com a reocupação da fazenda, eles passaram a reviver suas memórias”, conta.

A educadora acredita que a luta não acabou. “Nós camponesas e camponeses temos a responsabilidade, nós também continuamos a luta e o memorial traz esse sentimento – de continuar a luta de tantos companheiros que tiveram suas vidas ceifadas, que precisaram abandonar seus lares para não ser mortos”, ressalta.

O secretário de Cultura do município, Kelson Ricardo, destaca a influência de João Pedro Teixeira e das Ligas Camponesas para a história de Sapé. “Nosso município tem em sua memória a luta, a garra de buscar o melhor pelo povo, de resistir à opressão e lutar pela igualdade. Temos orgulho de nossa história, que ainda hoje inspira e norteia a população. Merece ser ressaltada e resguardada para a valorização da nossa cultura”, afirma.

História – Nasceu no dia 4 de março de 1918, em Pilõezinhos, na Paraíba. Era filho de Maria Francisca da Conceição e de João Teixeira, do qual herdou o mesmo nome. Foi casado com Elizabeth Teixeira com quem teve 11 filhos.

Foi o líder-fundador da primeira liga camponesa na Paraíba, fundada no Município de Sapé, que tinha a denominação oficial de “Associação dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas de Sapé” e chegou a contar com mais de sete mil sócios.

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